Parajara Moraes Alves Junior, especialista em gestão estratégica no agronegócio e CEO da Junior Contabilidade & Assessoria Rural, de Camapuã-MS, com mais de 30 anos de tradição no ecossistema do agronegócio, observa que a maioria dos produtores rurais sabe exatamente quanto produziu na última safra. Mas poucos sabem quanto custou produzir cada saca, qual foi a margem real da operação ou quanto do faturamento sobrou depois de pagar todas as obrigações.
Essa diferença entre produzir bem e gerir bem é o que separa as propriedades que crescem das que ficam no lugar.
Indicadores de gestão são números que revelam a saúde financeira e operacional da propriedade rural. Não são exclusividade de grandes empresas do agronegócio. São ferramentas acessíveis a qualquer produtor que queira tomar decisões com base em dados, e não apenas na intuição.
Custo de produção: o indicador em que tudo começa
O custo de produção por unidade, seja por saca de soja, por arroba de boi ou por caixa de laranja, é o indicador mais básico e mais ignorado da gestão rural. Sem ele, o produtor não sabe se está ganhando ou perdendo dinheiro em cada ciclo produtivo.
Parajara Moraes Alves Junior explica que o custo de produção precisa considerar todos os desembolsos diretos da atividade, como insumos, mão de obra, combustível e manutenção, mas também os custos indiretos, como depreciação de máquinas, juros de financiamento e pró-labore do produtor. Ignorar qualquer um desses componentes cria uma ilusão de lucratividade que pode durar anos antes de o problema aparecer no caixa.

Margem de contribuição e ponto de equilíbrio
A margem de contribuição mostra quanto cada unidade vendida contribui para cobrir os custos fixos da propriedade. O ponto de equilíbrio indica o volume mínimo de produção ou faturamento necessário para que a operação não dê prejuízo.
Esses dois indicadores juntos respondem a uma pergunta que todo produtor deveria fazer antes de cada safra: com o preço atual do mercado e o meu custo de produção, a quanto preciso vender para não perder dinheiro? Para Parajara Moraes Alves Junior, produtores que respondem a essa pergunta com precisão tomam decisões muito melhores sobre quando vender, quanto estocar e quando travar preço no mercado futuro.
Liquidez e endividamento
A liquidez mede a capacidade da propriedade de honrar seus compromissos financeiros no curto prazo. O índice de endividamento mostra qual proporção do patrimônio está comprometida com dívidas.
No agronegócio, onde os ciclos de caixa são longos e as dívidas de custeio e investimento são comuns, esses indicadores são fundamentais para evitar que a propriedade entre em uma espiral de refinanciamento que comprometa o patrimônio construído ao longo de décadas. Parajara Moraes Alves Junior ressalta que muitos produtores só percebem que estão endividados além do razoável quando já não há margem de manobra para corrigir o curso.
Retorno sobre o patrimônio
O retorno sobre o patrimônio, ou ROE, indica quanto a propriedade está gerando de resultado em relação ao valor total dos ativos investidos. É o indicador que responde à pergunta mais importante da gestão rural: vale a pena manter o dinheiro investido nessa atividade, ou existem alternativas mais rentáveis?
Parajara Moraes Alves Junior frisa a importância de utilizar esse indicador nas consultorias de planejamento tributário e patrimonial rural. Propriedades com ROE baixo podem estar sendo subaproveitadas, mal geridas ou operando com uma estrutura tributária inadequada para o seu perfil. Em todos esses casos, o indicador é o ponto de partida para uma conversa sobre o que precisa mudar.
Como começar a medir?
O primeiro passo é organizar as informações financeiras da propriedade. Isso significa separar as contas pessoais das contas da atividade rural, manter o Livro Caixa atualizado e registrar todas as entradas e saídas com documentação adequada.
Com esses dados organizados, o contador consegue construir os indicadores e apresentar ao produtor uma visão clara da situação financeira da propriedade. Parajara Moraes Alves Junior reforça que gestão rural profissional não começa com tecnologia sofisticada nem com sistemas caros. Começa com organização básica e com a disposição de olhar para os números com honestidade.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
