Guardião Cibernético 2026 simula ataques hacker em sete cidades até sexta-feira, com foco em setores estratégicos como energia, água e telecomunicações
Teve início nesta segunda-feira o Exercício Guardião Cibernético 2026 (EGC 2026), considerado o maior exercício de simulação de defesa cibernética do Hemisfério Sul. Coordenada pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, a iniciativa segue até sexta-feira (25) e reúne cerca de 350 organizações de diferentes setores, com o objetivo de testar a capacidade nacional de prevenção, resposta e coordenação diante de ameaças digitais.
Com sede principal em Brasília, o exercício tem atividades descentralizadas em outras seis cidades: Manaus, Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Em Recife, a operação acontece no CESAR, no Centro de Competência Embrapii em Segurança Cibernética (CISSA), na área sob responsabilidade do Comando Militar do Nordeste. O CISSA é atualmente o único centro de competência em cibersegurança credenciado pela Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) em todo o país, credenciamento obtido em 2024.
Setores estratégicos e simulação de cenários de crise
A programação do Guardião Cibernético combina duas frentes complementares. De um lado, simulações de gestão de crise voltadas a lideranças, pensadas para testar processos de tomada de decisão em situações de alta complexidade. De outro, treinamentos técnicos práticos direcionados a equipes operacionais, que atuam diretamente na linha de frente do enfrentamento a incidentes cibernéticos reais.
Participam do exercício organizações ligadas a áreas consideradas infraestrutura crítica do país, como energia, água, telecomunicações, finanças, comércio e serviços, além de Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras e instituições de ensino. A proposta é ampliar a integração entre setor público, iniciativa privada, academia e centros de pesquisa em torno de um mesmo objetivo: elevar a resiliência cibernética nacional diante de um cenário de ataques cada vez mais frequentes e sofisticados.
Segundo Georgia Barbosa, gerente executiva do CISSA, o exercício cria um ambiente de colaboração relevante entre governo, empresas, academia e centros de pesquisa, permitindo colocar conhecimento técnico a serviço de desafios concretos de segurança digital. Ela destaca ainda que a realização de um dos hubs em Recife reforça a posição da capital pernambucana no ecossistema nacional de tecnologia e inovação, ampliando a visibilidade da região dentro da agenda de cibersegurança do país.
Atuação do CISSA e relevância do tema no cenário nacional
O CISSA concentra sua atuação em quatro frentes principais: pesquisa aplicada, formação e capacitação de talentos, aceleração de startups do setor e conexão entre empresas, governo e instituições de ensino e pesquisa. As linhas de investigação do centro abrangem temas como gestão de identidade e acesso, proteção e privacidade de dados, inteligência de ameaças cibernéticas, além de aspectos legais, éticos e comportamentais relacionados à segurança digital.
A realização do Guardião Cibernético 2026 ocorre em um momento de atenção crescente ao tema da segurança digital no Brasil. Levantamentos recentes do setor têm apontado que menos da metade das empresas brasileiras possuem planos estruturados de reação a ataques que utilizam inteligência artificial como ferramenta de invasão, o que reforça a importância de exercícios práticos como esse para testar protocolos de resposta antes que incidentes reais aconteçam.
Iniciativas como essa também dialogam com um movimento mais amplo de fortalecimento da infraestrutura digital estratégica do país, que tem incluído discussões sobre soberania de dados, expansão de data centers nacionais e o chamado Marco Legal de Cibersegurança, ainda em tramitação no Congresso Nacional. Para especialistas do setor de tecnologia da informação, a combinação entre exercícios de simulação como o Guardião Cibernético e avanços regulatórios é vista como o caminho mais eficaz para reduzir a vulnerabilidade de setores essenciais da economia brasileira diante de ataques cada vez mais complexos.
Fontes consultadas:
