Mais de 23 milhões de brasileiros ainda têm recursos disponíveis; consulta ao Sistema de Valores a Receber é gratuita.
Os brasileiros ainda têm R$ 5,65 bilhões esquecidos em bancos e outras instituições financeiras, segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026. As informações são referentes a julho e mostram uma alta de aproximadamente 10,3% em relação a junho, quando o Sistema de Valores a Receber (SVR) registrava R$ 5,12 bilhões disponíveis. O levantamento inclui recursos de pessoas físicas e empresas que permaneceram em bancos, administradoras de consórcios, cooperativas de crédito e outras instituições.
Para o cidadão, a atualização traz uma pergunta prática: como descobrir se existe dinheiro esquecido em seu nome e como receber o valor? A consulta pode ser feita gratuitamente pelo Sistema de Valores a Receber, criado pelo Banco Central justamente para localizar recursos que pertencem aos clientes, mas permaneceram nas instituições financeiras. Os números mostram que 23,57 milhões de pessoas físicas possuem recursos disponíveis, além de aproximadamente 2,19 milhões de empresas.
O volume total chama atenção, mas isso não significa que cada pessoa encontrará uma quantia elevada. A maioria dos beneficiários possui valores pequenos, enquanto uma parcela muito menor tem mais de R$ 1 mil disponível. Por isso, consultar o sistema é a única maneira segura de descobrir a situação individual, sempre utilizando os canais oficiais e evitando links recebidos por mensagens.
Quem tem direito ao dinheiro esquecido nos bancos?
Dos R$ 5,65 bilhões ainda disponíveis, aproximadamente R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,40 bilhão correspondem a recursos de cerca de 2,19 milhões de pessoas jurídicas. Desde a criação do SVR, mais de R$ 16 bilhões já foram efetivamente devolvidos aos titulares, mostrando que milhões de consumidores e empresas já utilizaram o sistema para recuperar recursos.
Os valores podem surgir de diferentes situações da relação entre clientes e instituições financeiras. Entre os exemplos estão saldos disponíveis em contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, recursos de grupos de consórcios encerrados, cotas de cooperativas de crédito e outros valores que, por algum motivo, não chegaram ao proprietário. Isso significa que mesmo uma pessoa que tenha encerrado uma conta bancária há algum tempo pode encontrar recursos registrados no sistema.
A distribuição dos R$ 5,65 bilhões mostra que os bancos concentram a maior parcela, com aproximadamente R$ 2,38 bilhões. As administradoras de consórcios aparecem logo depois, com R$ 1,96 bilhão, seguidas pelas cooperativas de crédito, que concentram R$ 762,7 milhões. Instituições de pagamento têm R$ 353,4 milhões; financeiras, R$ 114,6 milhões; corretoras e distribuidoras, R$ 69,4 milhões; e outras instituições somam aproximadamente R$ 4,5 milhões.
Apesar do montante bilionário, a realidade individual é bem diferente. Dados do Banco Central mostram que 69,45% dos beneficiários possuem entre R$ 0,01 e R$ 10, enquanto 18,97% têm entre R$ 10,01 e R$ 100. Outros 9,35% possuem entre R$ 100,01 e R$ 1 mil, e somente 2,22% dos beneficiários têm mais de R$ 1 mil disponível. Portanto, não é possível estimar previamente quanto cada cidadão encontrará apenas com base no valor total divulgado.
Como consultar e receber valores pelo sistema do Banco Central?
A consulta deve ser realizada pelo Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central. O serviço permite verificar gratuitamente se uma pessoa física ou jurídica possui dinheiro registrado para devolução. Para acessar informações detalhadas e solicitar valores, pessoas físicas precisam utilizar uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, conforme as orientações do próprio Banco Central.
O sistema também possui uma opção para recebimento automático de determinados valores. Para ativá-la, o usuário entra no SVR, faz login utilizando a conta Gov.br e seleciona a alternativa disponível para recebimento automático. Essa funcionalidade busca reduzir a necessidade de realizar novas solicitações sempre que surgir um recurso elegível para devolução.
Também é importante entender que as informações exibidas no sistema não necessariamente são atualizadas em tempo real. De acordo com orientações do Banco Central, as instituições encaminham os dados ao BC até o último dia útil do mês seguinte ao período de referência. Administradoras de consórcios seguem uma dinâmica diferente, com envio das informações a cada três meses. Por isso, uma pessoa pode consultar em determinado momento e posteriormente encontrar uma nova informação no sistema.
Pessoas jurídicas também podem verificar recursos, mas existem requisitos específicos para o acesso. Segundo o Banco Central, a conta Gov.br utilizada precisa possuir o CNPJ vinculado, observadas as regras do sistema. O cidadão ainda pode procurar diretamente bancos ou outras instituições com as quais manteve relacionamento para verificar a existência de recursos a receber.
Como evitar golpes envolvendo o dinheiro esquecido?
O interesse pelos valores esquecidos também cria oportunidade para criminosos explorarem a curiosidade dos consumidores. Uma estratégia comum é enviar mensagens afirmando que determinada pessoa possui uma quantia elevada disponível e precisa acessar um link para liberar o pagamento. A existência dos R$ 5,65 bilhões no sistema é verdadeira, mas isso não significa que mensagens recebidas por WhatsApp, SMS ou e-mail sejam legítimas.
O Banco Central não cobra qualquer taxa para consultar ou receber os recursos e não envia links por e-mail, SMS, WhatsApp ou outros aplicativos de mensagens para tratar dos valores. Esse é um dos principais sinais que o consumidor deve observar. Uma mensagem que solicite pagamento antecipado para liberar dinheiro, peça senha bancária ou direcione para páginas desconhecidas deve ser tratada como suspeita.
Outro cuidado importante é não confundir o valor total divulgado pelo Banco Central com aquilo que uma pessoa individualmente poderá receber. Como quase 70% dos beneficiários possuem até R$ 10, mensagens prometendo automaticamente centenas ou milhares de reais devem despertar desconfiança. Apenas a consulta realizada pelos meios oficiais consegue indicar se há dinheiro disponível e qual é o valor correspondente ao CPF ou CNPJ pesquisado.
A recomendação também vale para páginas que tentam imitar serviços públicos ou instituições financeiras. O cidadão deve evitar informar CPF, senha Gov.br, dados bancários ou códigos de autenticação em páginas acessadas por links enviados por desconhecidos. A existência de milhões de pessoas com algum valor disponível torna o tema especialmente atraente para campanhas fraudulentas, aumentando a importância de utilizar somente os canais oficiais.
Os novos números mostram que ainda existe uma quantidade significativa de dinheiro aguardando seus proprietários. O volume disponível aumentou de R$ 5,12 bilhões em junho para R$ 5,65 bilhões em julho, revertendo uma sequência de três meses de redução. Ao mesmo tempo, desde a criação do sistema, o Banco Central contabiliza aproximadamente R$ 16,15 bilhões já devolvidos aos titulares.
Para o brasileiro, a orientação é simples: consultar pode valer a pena, mesmo que a maioria dos valores seja pequena. O procedimento é gratuito e pode revelar recursos provenientes de relacionamentos financeiros que o consumidor nem sequer lembrava que possuía. O mais importante é fazer a verificação exclusivamente pelos canais oficiais, não pagar intermediários e desconfiar de qualquer promessa de liberação de dinheiro mediante pagamento antecipado ou fornecimento de senhas.
Fontes:
