Presidente participa pela 11ª vez do evento em Nova York e terá encontro reservado com secretário-geral António Guterres
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira, a partir das 10h no horário de Brasília, na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Como ocorre desde 1955, o Brasil é tradicionalmente o primeiro país a falar na sessão de alto nível, sendo seguido pelo país anfitrião, os Estados Unidos, cujo presidente Donald Trump discursa logo em seguida.
Essa será a 11ª participação de Lula no evento como chefe de Estado ao longo de seus três mandatos, tendo faltado ao encontro apenas em 2010. O tema escolhido para a edição deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”, e o petista deve concentrar sua fala na defesa do multilateralismo, em um momento marcado pela multiplicação de conflitos internacionais e pelo enfraquecimento de instituições globais.
Soberania nacional e interferência eleitoral devem marcar o discurso
Segundo assessores próximos ao presidente, a fala deste ano terá um recado direto relacionado ao cenário doméstico. Lula pretende reforçar a defesa da soberania brasileira e condenar tentativas de interferência externa no processo eleitoral de outubro, sem citar nominalmente países ou autoridades, mas com mensagens que devem ser lidas nos bastidores diplomáticos como um recado a Washington.
A preocupação do Palácio do Planalto tem base em episódios recentes envolvendo o governo americano. Donald Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca, e auxiliares do presidente dos Estados Unidos demonstraram publicamente preferência pela candidatura do senador ao Planalto. Houve ainda tentativas de representantes do Departamento de Estado americano de articular encontros e discutir diretamente o processo eleitoral brasileiro. Em entrevista recente à CNN Internacional, o próprio Lula afirmou estar “um pouco preocupado” com a atuação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, nesse contexto.
Apesar das tensões, auxiliares do presidente avaliam que a relação pessoal construída entre Lula e Trump ao longo dos últimos meses pode funcionar como um fator de contenção, tornando mais difícil para o presidente americano se posicionar publicamente contra a reeleição do petista ou contra o resultado das urnas em outubro, caso Lula saia vitorioso. Não há uma reunião bilateral formal confirmada entre os dois mandatários durante a passagem por Nova York, mas o Planalto trabalha com a expectativa de uma conversa breve nos bastidores do plenário, repetindo o que ocorreu na edição do ano passado.
Multilateralismo, reforma do Conselho de Segurança e papel do Brasil no cenário global
Além da defesa da soberania, o discurso brasileiro deve reafirmar linhas tradicionais da política externa do país, como o respeito ao direito internacional humanitário, a defesa da negociação como caminho para a resolução de conflitos e a rejeição à interferência em assuntos internos de outras nações. A reforma da estrutura das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, também deve estar entre os pontos centrais da fala, com Lula defendendo mudanças que deem mais voz aos países do chamado Sul Global.
Outros temas que devem aparecer no pronunciamento incluem meio ambiente, sustentabilidade e o papel do Brasil como potencial mediador em conflitos internacionais, buscando reforçar a imagem do país como interlocutor relevante na busca por soluções pacíficas. O contraste deve ficar evidente na sequência da sessão: enquanto Lula fala sobre cooperação multilateral, Trump é esperado com um discurso crítico à própria ONU, classificada por ele como burocrática e ineficiente, além de declarações sobre o Irã e cobranças a outros países quanto à proteção de rotas comerciais estratégicas.
Durante a passagem por Nova York, Lula também está previsto para se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que cumpre a última Semana de Alto Nível à frente da entidade, já que seu mandato se encerra em 31 de dezembro deste ano. O presidente brasileiro retorna ao país no mesmo dia de seu discurso, mantendo a agenda internacional restrita a compromissos pontuais durante essa passagem pelos Estados Unidos.
Fontes consultadas:
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-09/lula-discursa-na-assembleia-geral-da-onu
- https://revistaforum.com.br/global/lula-discurso-onu-interferencia-eua-eleicoes
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/lula-e-trump-levam-divergencias-politicas-para-abertura-da-assembleia-geral-da-onu/
- https://www.portaltela.com/internacional/2026/09/22/lula-faz-discurso-de-abertura-da-assembleia-geral-da-onu-nesta-terca/
