Elmar Juan Passos Varjão Bomfim explica que a busca por obras net zero vem redefinindo critérios técnicos, operacionais e financeiros na infraestrutura brasileira, especialmente em projetos de grande porte. A descarbonização deixou de ser apenas um compromisso institucional genérico e passou a integrar metas mensuráveis de redução de emissões ao longo de todo o ciclo da obra, desde o projeto até a operação.
A incorporação de metas de emissões zero exige uma mudança estrutural na forma como projetos de infraestrutura são concebidos. Não se trata apenas de adotar materiais sustentáveis ou compensações ambientais posteriores, mas de reorganizar decisões técnicas para reduzir emissões diretas e indiretas já nas fases iniciais do empreendimento, onde os principais impactos são definidos.
Engenharia de projeto como ponto de partida da descarbonização
De acordo com Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, o caminho para obras net zero começa no projeto. Escolhas relacionadas a métodos construtivos, sistemas estruturais e logística de materiais influenciam de forma significativa a pegada de carbono da obra. Projetos que priorizam soluções compatíveis com o contexto local tendem a reduzir deslocamentos, consumo energético e retrabalhos, fatores diretamente associados às emissões.
Ademais, a compatibilização técnica entre disciplinas permite eliminar interferências que, na prática, geram ajustes tardios e desperdício de recursos. Ao antecipar essas variáveis, a engenharia cria condições para uma execução mais eficiente e alinhada às metas de descarbonização, sem comprometer prazo ou desempenho estrutural.
Materiais, processos e eficiência na execução
A seleção de materiais é outro elemento central no avanço das obras net zero. Conforme analisa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a engenharia precisa avaliar não apenas o desempenho técnico imediato, mas também o impacto ambiental associado à produção, transporte e durabilidade dos insumos utilizados.
No campo dos processos construtivos, a eficiência operacional passa a ser um critério ambiental relevante. Processos bem planejados reduzem consumo de energia no canteiro, desperdício de materiais e horas improdutivas. Essa racionalização da execução transforma ganhos operacionais em redução efetiva de emissões, aproximando a obra das metas net zero de forma mensurável.
Logística e gestão de emissões no canteiro de obras
A logística de obra exerce influência direta sobre a pegada de carbono da infraestrutura. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim nota que o planejamento inadequado de transporte de materiais e equipamentos costuma representar uma parcela significativa das emissões indiretas do projeto. Ao reorganizar fluxos logísticos, consolidar entregas e reduzir deslocamentos desnecessários, a engenharia atua de forma prática na mitigação dessas emissões.

A gestão do canteiro também passa a incorporar métricas ambientais, monitorando consumo energético, uso de combustíveis e geração de resíduos. Esse controle permite ajustes contínuos ao longo da execução, garantindo que a meta de descarbonização não fique restrita ao discurso, mas seja acompanhada por indicadores técnicos claros.
Infraestrutura net zero e exigências regulatórias
O avanço das obras net zero no Brasil também está relacionado à evolução regulatória e às exigências de financiadores e contratantes. Conforme elucida Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, projetos de infraestrutura já enfrentam critérios ambientais mais rigorosos em processos de licenciamento, contratação pública e acesso a crédito. A engenharia, nesse contexto, torna-se peça-chave para transformar essas exigências em soluções viáveis.
Ao estruturar projetos alinhados a padrões ESG e metas de descarbonização, a engenharia reduz riscos regulatórios e amplia a atratividade do empreendimento. Essa adequação técnica evita ajustes tardios para atender exigências ambientais, que costumam gerar atrasos e custos adicionais quando não são considerados desde o início.
Descarbonização como vetor de competitividade na infraestrutura
A adoção de práticas voltadas à descarbonização vem se consolidando também como fator de competitividade. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim salienta que obras alinhadas a metas net zero tendem a apresentar maior aceitação institucional, melhor posicionamento em processos de contratação e maior previsibilidade de longo prazo.
Nesse sentido, a descarbonização da infraestrutura deixa de ser apenas uma resposta a pressões ambientais e passa a integrar a estratégia técnica dos projetos. Ao alinhar engenharia, eficiência operacional e visão de ciclo de vida, as obras net zero se afirmam como um caminho viável e necessário para a infraestrutura brasileira contemporânea.
Autor: Floria Paeris
